Noel pode esperar - Parte 1



⠀⠀⠀⠀⠀A  noite lá fora é quente e densa. A lua paira no céu, insistente. Meus pensamentos são vagos enquanto admiro sua beleza. Finalmente chegou o dia, amanhã é  véspera de natal. Sempre fui de esperar o ano todo por essa data, simplesmente amo tudo, desde o clima que a manhã da véspera impõe até a estrela brilhante que é colocada cuidadosamente na ponta da árvore. É uma data muito especial pra mim. 
⠀⠀⠀⠀⠀Nesse ano tenho um motivo a mais para esperar pelo Natal, finalmente irei conhecer Will, meu talvez futuro namorado. Isso é um drama adolescente? Sim. Mas eu não me importo. 
⠀⠀⠀⠀⠀A história de como conheci Will é confusa, ele simplesmente surgiu no pior dia da minha vida, e só agora, depois de milhares de mensagens trocadas a distância e incansáveis horas em chamadas de vídeo e bilhares de fotos trocadas, é que vamos nos conhecer. Tento segurar a multidão que agita a festa que tá rolando em minha barriga. Qualquer pessoa em seu juízo perfeito diria que eu sou maluca em me arriscar numa viagem do Rio de Janeiro à São Paulo sozinha. Mas eu aceito os riscos e quero continuar. Na maior parte das vezes, a aventura só vem se nós vestirmos a camisa.
⠀⠀⠀⠀⠀Tudo já está planejado, estou prestes a entrar na maior aventura da minha vida e nada pode dar errado. Sou extremamente fascinada por agendas, tenho dezenas. Uma para cada objetivo e mais inúmeras em branco. Peguei uma velha agenda dada por minha avó no último Natal que passamos juntas, é amarela com pequenas flores na capa, a primeira página contém uma dedicatória, é praticamente o amor em tinta. 

“Para minha Sara, sua estrela irá brilhar”

⠀⠀⠀⠀⠀Esse é o primeiro Natal sem a vovó e bem… Não encontro forma melhor de sentir seu amor. Sinto falta de sua incontrolável insistência para que eu detone o azul dos meus cabelos. 
⠀⠀⠀⠀⠀Repasso todos os lembretes que escrevi nos últimos meses. O último item é dar play em Hymn da Kesha. Costumo fazer isso com frequência, colocar música onde é possível. A vida é muito melhor com música. Melodias são pequenas doses de amor que compartilhamos. 
⠀⠀⠀⠀⠀Sou uma adolescente clichê, penso. 
⠀⠀⠀⠀⠀Em dois minutos o aleatório do meu celular vai pular para alguma música da Taylor Swift
⠀⠀⠀⠀⠀Eu dou um riso amarelo e olho para minha janela. 
⠀⠀⠀⠀⠀Amanhã eu finalmente vou conhecer o Will. 
⠀⠀⠀⠀⠀Eu quase não dormi, não pude colocar o celular para despertar porque ele acordaria toda a casa, assim sendo, só a possibilidade de perder a hora e estragar tudo já foi o suficiente pra me deixar acordada a noite toda. 
⠀⠀⠀⠀⠀Então, pela vigésima primeira vez, revejo minha lista, prometo a mim mesma que essa será a última vez. Saio do meu quarto e enfrento o corredor, são cinco metros até que eu esteja na sala, dou passos lentos e calculados, me sinto uma agente presa em um filme ruim da sessão da tarde. Assim que me sento no sofá da sala começo a rir, é engraçado o fato de eu ter dezenove anos e estar fugindo de casa, meus pais sempre foram superprotetores, quando eu voltar estarei bem encrencada. Segurar a gargalhada na sala de casa faz com que eu me lembre de uma velha Sara, uma destemida, sorridente, uma versão de mim mesma há muito tempo perdida. 
⠀⠀⠀⠀⠀De toda a lista de coisas a serem feitas, restam duas, escrevo um curto bilhete para mamãe e, depois do que pareceu uma eternidade, escrevo para Thayná, minha melhor amiga que deve estar no vigésimo sono agora. 

“Oi amigaaaa, lembra do Will? O garoto do aplicativo? Estou indo pra São Paulo nesse instante para passarmos o Natal juntos! Não me mate!!! Vou ficar bem.”

⠀⠀⠀⠀⠀Envio a mensagem e tomo cuidado ao fechar a porta da frente de casa. 

 Parte 2

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